Como detectar a desinformação

O aumento vertiginoso da desinformação tem motivado no Brasil e no exterior uma série de iniciativas de checagem de informações e de pesquisa e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar no trabalho de verificação. Tais esforços visam aprimorar a qualidade das informações na internet, ajudando a identificar informação incorreta ou fraudulenta.

Tanto a checagem quanto a verificação, visam aprimorar a qualidade das informações na internet, ajudando a identificar informação incorreta ou fraudulenta.

 

Diante do risco de distorções do debate eleitoral causados por desinformação, no início de agosto de 2018 surgiu o Projeto Comprova, uma iniciativa inédita do jornalismo brasileiro que tem se mantido ativa desde então, contando, em agosto de 2020, com 28 redações participantes.

Reprodução: Projeto Comprova

Trabalhando de forma colaborativa, 24 redações brasileiras se uniram para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas durante a campanha presidencial de 2018 produzidas por fontes não oficiais na internet.

 

A missão do projeto é assim resumida:

O objetivo do Comprova é identificar e enfraquecer as sofisticadas técnicas de manipulação e disseminação de conteúdo enganoso que vemos surgir ao redor do mundo. Nossos parceiros estão unidos no compromisso de investigar — de maneira precisa e responsável — declarações, especulações e rumores que estejam ganhando fôlego e projeção na internet. Ao trabalhar coletivamente para selecionar e apurar textos, vídeos, imagens e gráficos, os jornalistas Comprova vão contextualizar e esclarecer informações que podem ser consideradas enganosas ou deturpadas e tomar providências para minimizar o alcance e o impacto de mentiras comprovadas e deliberadas.”

Projeto Comprova
(Jornalismo colaborativo contra a desinformação)

Os princípios norteadores do Comprova são: rigor, integridade e imparcialidade, independência, transparência e responsabilidade ética.

Conforme a seção de perguntas frequentes do site do projeto, “o Comprova foi idealizado e desenvolvido pelo First Draft e o Shorenstein Center, da Harvard Kennedy School, com a colaboração de Abraji, Projor, Google News Initiative e Facebook Journalism Project”. 

 

Exemplos de verificações produzidas pelo Comprova:

As agências de checagem se propõem a contestar declarações falaciosas de personalidades públicas veiculadas na mídia, especialmente nas redes sociais. Uma vez constatado o grau de imprecisão de determinado conteúdo, é possível reduzir seu alcance e impacto através de mecanismos artificiais de impulsionamento computacional oferecidos pelas redes sociais. Confira página de Checagem e Verificação do Manual GPI Eleições 2020 com tutorial completo sobre monitoramento, planejamento e ferramentas digitais.

As duas principais plataformas de checagem no Brasil — Agência Lupa e  Aos Fatos — têm-se dedicado a verificar afirmações e dados relacionados a temas de interesse público. Lupa, Aos Fatos e Truco são associadas à International Fact-checking Network (Rede Internacional de Checagem), ou IFCN, que por sua vez é ligada ao Poynter, uma instituição dedicada à educação jornalística.

 

No Brasil, diversos veículos jornalísticos como Extra, Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo e UOL também mantêm seções dedicadas à prática de checagem.

 

As 79 organizações participantes da IFCN adotam os cinco princípios abaixo:

  1. Compromisso com o apartidarismo  e justiça – Checamos afirmações usando o mesmo padrão para cada fato checado. Não concentramos nossa checagem em nenhum lado. Seguimos o mesmo processo para cada fato checado e deixamos que ele guie nossas conclusões. Não defendemos ou adotamos posições sobre formulação de políticas nos fatos que checamos
     

  2. Compromisso com a transparência de fontes – Queremos que nossos leitores sejam capazes de verificar nossas conclusões por si próprios.  Fornecemos informações sobre todas as fontes detalhadas o bastante para que nossos leitores possam replicar nosso trabalho, exceto nos casos em que a segurança pessoal de uma fonte possa ser comprometida. Nesses casos, fornecemos o máximo de detalhes possível
     

  3. Compromisso a transparência no financiamento e organização – Somos transparentes sobre nossas fontes de financiamento. Se aceitarmos o financiamento de outras organizações, garantimos que os financiadores não tenham influência sobre as conclusões a que chegamos em nossos relatórios. Detalhamos os antecedentes profissionais de todas as figuras-chave em nossa organização e explicamos nossa estrutura organizacional e status legal. Indicamos claramente a forma para os leitores se comunicarem conosco
     

  4. Compromisso com a transparência da metodologia ­– Explicamos o método que utilizamos para selecionar, pesquisar, escrever, editar, publicar e corrigir nossas checagens. Encorajamos os leitores a enviar pedidos de checagem e somos transparentes sobre o por quê e como checamos os fatos
     

  5. Compromisso com correções abertas e honestas – Publicamos nossa política de correções e a seguimos escrupulosamente. Corrigimos nossos erros de forma clara e transparente segundo nossa política de correções, buscando, tanto quanto possível, garantir que os leitores vejam a versão corrigida

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